Santa Maria, a “ilha-mãe” dos Açores, terá tido das primeiras vinhas do arquipélago. Plantadas pouco depois do povoamento um pouco por toda a ilha e notoriamente em socalcos pelas falésias que a contornam, teriam tido um papel significativo na economia da ilha desde o Séc. XVI até ao aparecimento das doenças que dizimaram as vinhas e obrigaram a substituir as castas antigas por híbridos americanos: nascia a era do vinho de cheiro. A emigração ao longo do séc. XX roubou a ilha de um terço da população. As vinhas foram sendo abandonadas por perda de mão de obra e valor económico… até há bem pouco tempo eram apenas alguns os guardiões desta paisagem ancestral, fiéis às tradições da vinha e do vinho, a resistir em pequenos óasis rodeados por quartéis invadidos de fetos e mato. Nos últimos anos, o projeto de valorização da paisagem vitivinícola de Santa Maria trouxe nova esperança aos monumentos históricos que são estas construções ao longo de íngremes encostas. Com novos incentivos ao investimento e trabalho colaborativo a paisagem está a renascer e em breve aguardamos os novos vinhos das velhas castas dos Açores: Arinto, Verdelho e Terrantez estão já plantados.

E, quem sabe, não será esta também a ilha certa para cunhar tintos de qualidade nos Açores…?

 

Paragem Obrigatória

 

Quarteis de Vinha

Santa Maria está a reabilitar as suas paisagens vitivinícolas, estando em curso um projeto que integra o programa RURITAGE da UNESCO, ao lado de vários parceiros internacionais empenhados na recuperação de património rural. Passo a passo, a oferta enoturística nasce pelos quatro cantos da ilha.  Os locais mais emblemáticos a visitar são:

A Baía da Maia, que apresenta uma paisagem repleta de vinhedos a povoar a encosta, protegidos pelos quartéis de pedra e coroados pelo farol de Gonçalo Velho. Na “Cascata do Aveiro” encontramos um antigo lagar escavado num monólito, onde desde o sec. XVI se faria o primeiro pisoteio das uvas

A Baía de São Lourenço, situada no nordeste da ilha, constitui uma paisagem única: uma vertente semelhante a uma semi-cratera vulcânica, repleta de socalcos com vinhas em quartéis que se estendem ao longo da falésia até às praias de areia clara e águas límpidas.

Parte de um trilho pedestre de rota circular é a descida à Baía do Raposo, onde se encontram ainda vestígios de algumas das mais antigas vinhas da ilha, em socalcos improváveis. Em baixo, junto ao poço da cascata encontramos um dos mais perfeitos lagares escavados em pedra: uma autêntica peça de museu do vinho – a céu aberto há quase 500 anos.

 

Plantação vinhas recuperadas – Farol da Maia